Soprada no vento
Em quantos
caminhos me tenho
que perder
ainda em mimQuantas estradas erradas percorrer
Meandros de rios deslizar às cegas
Entre monstruosas montanhas
ameaçadoras da minha pequenez
Quantos mares
tenho que mergulhar
E rios descer imerso
em correntesTrilhos perdidos em montes esquecidos
Rastos de cobras e de chacais onde
nítidas nuvens de águas estagnadas
pingam gotas de tristes chuvas
Afectos
difusos distantes no tempo
Dobram as
horas e o pensamentoEsquecem-me e recordam-me distantes
Quero e nao posso ou posso
e não quero, poder o que quero
Deslizo em mim
reflectido nos contornos
esbatidos da
face, que me não lembraoculta, por cabelos que sonhei
levemente ondulados, de onde emergem os
olhos que há muito esgotaram as lágrimas
mas teimam ainda em chorar...
As luzes secam
ainda os caminhos que
percorro, meio
perdido, sem percebercompletamente os sinais que me cercam
em electrificantes emoções angelicais de
imaculada brancura que me cega
As respostas,
essas, estão há muito escritas
no livro do oráculo,
com letras que sóos druídas dos poemas conseguem decifrar
Resilientes ao tempo, ao pó que as teima em cobrir,
são sopradas no vento que apenas
os olhos ainda inundados de amor, que
não seca, conseguem ouvir...

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